Parurese e parcoprese: quando a falta de privacidade faz o corpo travar
Informação científica e avaliação psiquiátrica para pessoas que apresentam dificuldade de urinar ou evacuar em determinados ambientes, com atenção ao diagnóstico diferencial, às condições associadas e ao impacto sobre a vida.
Quem sou eu?
Pablo E. P. Dutra — Médico Psiquiatra | CRM-RJ 52.84015-7 | RQE 26100
Sou mestre e doutorando em Psiquiatria e Saúde Mental pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ). Minha linha de pesquisa concentra-se em parurese, parcoprese e eliminação socialmente inibida, investigando seus mecanismos e suas repercussões clínicas e psicossociais. Atuo como coordenador clínico e pesquisador do Laboratório de Pânico e Respiração (LABPR/IPUB/UFRJ).
Como funciona a avaliação
A avaliação psiquiátrica procura compreender não apenas o sintoma, mas também as circunstâncias em que ele aparece, seu impacto sobre a vida e as condições que podem estar associadas.
Compreender a dificuldade
Conversamos sobre quando o problema começou, em quais ambientes acontece, quais pensamentos e sensações surgem e como ele interfere em viagens, trabalho, estudos, relacionamentos e atividades cotidianas.
Investigar o quadro de forma ampla
A avaliação considera sintomas físicos e emocionais, medicamentos em uso, tratamentos anteriores e possíveis diagnósticos diferenciais. Na parurese e na parcoprese, também é importante considerar causas urológicas, gastrointestinais, neurológicas ou relacionadas ao assoalho pélvico.
Definir um plano individualizado
A partir dessa compreensão, são discutidas as possibilidades de cuidado. O plano pode envolver orientação, psicoterapia, tratamento medicamentoso de condições associadas, mudanças comportamentais ou acompanhamento conjunto com profissionais de outras especialidades.
Cada caso é avaliado individualmente, com respeito às dificuldades, às necessidades e aos objetivos da pessoa.
Outras condições relacionadas
Parurese e parcoprese podem coexistir com outras formas de ansiedade, mas não devem ser automaticamente confundidas com elas. Uma avaliação cuidadosa ajuda a identificar o que está acontecendo e quais fatores participam do sofrimento.
Ansiedade social
O transtorno de ansiedade social envolve medo intenso de ser observado, julgado, criticado ou constrangido em situações sociais. Pode provocar ansiedade antecipatória, sofrimento e evitação de encontros, apresentações, refeições, banheiros públicos e outras situações de exposição.
Transtorno de pânico
O transtorno de pânico é caracterizado por ataques de pânico recorrentes e inesperados, acompanhados de preocupação persistente com novos episódios ou de mudanças de comportamento destinadas a evitá-los. Os sintomas podem incluir palpitações, falta de ar, tremor, tontura e medo de perder o controle ou morrer.
Outras condições em saúde mental
Depressão, preocupação excessiva, pensamentos intrusivos e oscilações do humor podem assumir diferentes formas e produzir impactos importantes sobre a rotina.
Conhecer os sinais ajuda a perceber quando uma dificuldade deixou de ser passageira e merece uma avaliação mais cuidadosa.
Depressão · Ansiedade generalizada · TOC · Transtorno bipolar
Quando a dificuldade começa a limitar a vida
Se o medo de urinar ou evacuar em determinados ambientes está interferindo em viagens, trabalho, estudos, relacionamentos ou outras experiências importantes, uma avaliação pode ajudar a compreender o quadro e discutir possibilidades individualizadas de cuidado.
Você não precisa esperar que o problema se torne incapacitante para falar sobre ele.
Pesquisa que orienta o cuidado
Minha atuação clínica está integrada à pesquisa desenvolvida no Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Minha principal linha de investigação concentra-se na parurese, na parcoprese e em outras formas de eliminação socialmente inibida, além de estudos sobre ansiedade, pânico, dignidade do paciente e história da psiquiatria.
A pesquisa contribui para uma avaliação mais cuidadosa, especialmente diante de dificuldades ainda pouco reconhecidas e frequentemente vividas em silêncio.

